Novo Ensino Médio provoca desconfiança

Medida provisória, que tramita na Comissão Mista do Congresso, possui falhas, dizem profissionais da educação

Branderick Caetano
1º período de Jornalismo

Branderick Caetano

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Medida também divide opinião de estudantes

Desde sua publicação, no dia 22 de setembro de 2016, a Medida Provisória (MP) n° 746, que determina mudanças no atual Ensino Médio, tem gerado discussões entre os alunos e profissionais da área educacional. Encaminhada ao Poder Legislativo pelo então Presidente da República, Michel Temer, o texto chamou a atenção de todo o país, e recebeu apoio e críticas de todos os lados. Com propostas como a contratação de profissionais com “notório saber” na área técnica e nova Base Nacional Comum Curricular, a MP provoca  desconfiança e até revolta por parte de estudantes e professores.

Sobre o texto da MP, o professor de ensino médio, Leonardo Henrique Marra, que é  formado em Letras pela UFMG, afirma:  “Essa reforma não trará grandes novidades, já que, primeiramente, não há estrutura nas escolas para receber os alunos de acordo com esta proposta”. Marra ainda destaca que os alunos não terão seus interesses atendidos, visto que muitos deles fazem cursos profissionalizantes, ‘cursinhos’ ou trabalham. ” É problemático conciliar todas essas outras atividades com a proposta de tempo integral , avalia”. Marra também reflete sobre as grades escolares: “Pode dificultar a questão do manejo disciplinar nas escolas”.

Já para a educadora Raíssa Oliveira,  também formada em Letras pela UFMG, o texto possui aspectos positivos e negativos que devem ser discutidos. Como pontos positivos, a educadora evidencia a possibilidade do aproveitamento de estudos pelos alunos do ensino médio no ensino superior . “Também há o repasse de verbas da União ao Estado caso esse aproveitamento aconteça, diz”. Por outro lado, Oliveira expõe os pontos negativos em sua análise da MP, uma deles  é a possibilidade de atuação de profissionais sem formação. “Não fica claro como seriam selecionados e isso criaria uma competição desleal com quem dedicou uma graduação inteira ao estudo de teorias, de análises, de práticas e de aprofundamento no material de estudo. Esse artigo, ao invés de estimular o ingresso à licenciatura, que já é decadente, desvaloriza mais ainda a profissão, conclui”.

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Escola em tempo integral preocupa alunos

Com uma visão de estudante, a aluna do 1° ano do ensino Médio do CEFET-MG, em  Belo Horizonte, Geovanna Vasconcelos considera que haveria melhorias e depreciações com a implementação do Novo Ensino Médio. “A parte da melhoria seria trazer um maior interesse aos estudantes na reta final do curso,  já que ele focaria no que o atrai, além de promover um possível ensino técnico que ajudaria na inserção no mercado de trabalho”, diz Vasconcelos. Sobre a depreciação, a estudante afirma que a carga horária seria muito alta, o que impede o aluno de trabalhar. ” Em muitos casos, os alunos contribuem com a renda da família. É uma realidade no Brasil.”