Táxi e Uber brigam por passageiros em BH

Conflito entre os motoristas é recorrente nas ruas e gera  prejuízo para as duas partes

Cristina Azevedo e Gabriel Florentino
2º período de Jornalismo

 

Foto Gabriel Florentino

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Taxista Rinaldo Antônio da Silva em seu carro

Parece que a briga entre os motoristas do aplicativo Uber e taxistas está longe de acabar. Casos de agressões entre as duas classes trabalhadoras, motivados pela hostilidade gerada devido à concorrência, têm sido frequentes. Os taxistas consideram a concorrência desleal. Para a maioria deles, o Uber é um meio alternativo de transporte no qual qualquer pessoa, com os requisitos necessários, pode ingressar como motorista no mercado. Ao contrário do processo para ser taxista, que requer várias licenças, cursos e testes para aprovação na Prefeitura de Belo Horizonte.

De acordo Rinaldo Antônio da Silva, taxista na capital há 12 anos, o aplicativo toma diariamente seus clientes. Ele diz que perdeu mais de 50% dos passageiros e essa porcentagem tem crescido. Para Rinaldo, a facilidade em fazer parte do aplicativo Uber prejudicou de forma significativa os lucros. “Existe uma estimativa de 90 mil corridas por dia, para um total de 8 mil táxis na capital, o que permite uma renda razoável ao taxista. O Uber funciona sem limite de associados (motoristas). O aumento de motoristas não quer dizer que o número de passageiros por dia vai aumentar, ou seja, ninguém terá uma renda que garanta a subsistência, tanto de um quanto de outro, ” declarou.

O Uber

O Uber é o serviço de transporte alternativo criado em 2009, nos Estados Unidos, que ganhou força em 2015. Como é mais barato, os usuários têm trocado o táxi pelo Uber, de acordo com levantamento feito de forma informal pela reportagem do Jornal Lince a população do centro de Belo Horizonte.

“O que tem atraído os usuários não são só as tarifas, mas também o tratamento diferenciado que oferecem”, diz Flávio Assis, motorista do Uber há 3 meses. Ele afirma também que os taxistas veem o Uber com um meio de locomoção clandestina já que a classe não é protegida pela lei e, por esse motivo, se sentem no direito de disseminar a cultura de ódio e rivalidade. O motorista lembra do recente caso que envolveu um colega de trabalho esfaqueado por um taxista na avenida Cristiano Machado, no bairro União, na região nordeste da capital

Ricardo Faedda, presidente do Sindicato dos Taxistas de Minas Gerais, diz que é inadmissível qualquer ato de violência. “Não é com violência que os taxistas vão conseguir combater o Uber”, garante. Ele também não apoia a atuação do aplicativo no mercado, pois, segundo ele, os aplicativos de transporte que não são voltados aos taxistas, são clandestinos.