Lúpus: um universo desconhecido

Com o crescimento de vítimas, aumenta a necessidade de informações sobre a doença que atinge cerca de 65 mil brasileiros

 

Ana Karolina Cipriano
2º período de Jornalismo

Ana Geórgia Simão é blogueira e tem 35 anos. Aos 17, foi ao médico porque apresentava alguns sintomas como dificuldades de se sentar, levantar, andar, comer,  além apresentar ínguas no pescoço. O médico, então, solicitou o exame que detecta doenças autoimunes, e o resultado positivo para o lúpus mudou completamente a vida dela.“O mundo mudou. Tudo o que gostava, sonhava ou acreditava se tornou distante, ficou cinza”, declara Ana Simão.

Ana diz que os dias posteriores ao diagnóstico foram difíceis, porém, ela acabou percebendo que não adiantaria sentir pena de si mesma, e que o  mundo não iria ficar paralisado à espera de que ela se recuperasse. Foi preciso respirar fundo e começar a viver de uma maneira diferente. Segundo Ana com passar dos anos, ela não sente mais falta do sol ( os pacientes com lúpus precisam evitar o sol), e passa a entender o corpo de maneira particular. Viver com raiva do lúpus só pioraria as coisas.

Para Ana Simão, nos últimos anos, com o surgimento das redes sociais,  tem sido possível transmitir informações para ajudar pessoas a notarem os sintomas da doença e procurarerem um especialista. Ela tem um blog onde posta informações relacionadas a doença que  abre um espaço para que outras pessoas compartilhem suas histórias

Foto acervo pessoal

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“Aprendi a viver, eu renasci para um mundo novo, um mundo novo, um mundo que só as borboletas entendem” – Ana Geórgia Simão

 

Pouco conhecida

O lúpus é uma doença pouco conhecida no país, apesar de existirem muitos casos. Estima-se, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, que, no Brasil, existem cerca de 65 mil pessoas com lúpus. O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LSE) é uma doença autoimune. De acordo com a reumatologista, Rejane Damasceno, a doença autoimune faz com que as células de defesa da pessoa ataquem suas próprias células sadias, o que provoca  inflamações nas articulações, olhos, pele, rins, pulmões e coração.

Ainda de acordo com a médica, o lúpus atinge principalmente mulheres jovens, porém pode acometer qualquer faixa etária. Não existe uma causa única para explicar o desenvolvimento da doença. Há uma interação de fatores, como ambientais, emocionais, familiares, imunológicos que, na pessoa predisposta, geralmente faz eclodir o lúpus.

O lúpus pode evoluir desde pólos benignos, até casos extremamente graves, comprometendo órgãos nobres como rins, cérebro e vasos circulatórios. “Existem ainda pacientes que apresentam lúpus somente na pele, o chamado lúpus cutâneo”, afirma a reumatologista.

A doença não tem cura. No entanto, se o tratamento for bem feito, orientado por um reumatologista, melhora a evolução da doença, consequentemente melhora a qualidade de vida do paciente. “Cuidados como evitar sol, cigarro e  praticar atividade física são fundamentais”, avalia Rejane Damasceno.

A boa notícia é que pesquisas estão sendo feitas em relação ao tratamento, inclusive foi lançado recentemente um medicamento, específico para o tratamento do lúpus. “Trata-se de um agente biológico chamado Belimumabe, que age inibindo o linfócito B, célula desenvolvida na patogenia da doença, e os resultados são promissores”, comemora Damasceno.