Guerra na Síria divide especialistas

Estudiosos sobre o tema divergem sobre possíveis resoluções enquanto a população padece em meio à violência, fome e falta de recursos

Thiago Coutinho e Brenderick Caetano
2º período

 

“Democracia é algo distante, eu não vejo o oriente vivendo uma democracia como a nossa. ”
Prof. Vamberto William da Silva

 

Considerada muitas vezes uma extensão da Primavera Árabe, a revolta síria teve início em 26 de janeiro de 2011 com uma série de protestos contra o governo de Bashar al-Assad. Os participantes exigiam maior liberdade e organizaram uma revolta armada com o objetivo de destituir o governo. Os Estados Unidos apoiam politicamente e militarmente os rebeldes da Coalizão Nacional Síria, enquanto a Rússia, o atual governo de Bashar al-Assad.

Atualmente, existem cerca de 10 grupos relevantes envolvidos no conflito da Síria, que, na opinião de especialistas, parece não ter um desfecho provável. Há divergências dentro dos próprios grupos rebeldes, dentre eles, a frente do Jabhat Fateh al-Sham, grupo islâmico sunita e jihadista, o Estado Islâmico da Síria e do Iraque que já decretou um califado, mas que, nos períodos iniciais do conflito, lutavam junto com outros grupos rebeldes.

 

Foto Brenderick Caetano

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 Homero Nunes, jornalista e historiador da Newton

 

De acordo com o professor Homero Nunes Pereira, historiador e sociólogo, “a melhor opção para o ocidente seria a queda do governo, que, atualmente, é politicamente falido, não tem credibilidade e no qual o ditador está a muito desgastado”, avalia o pesquisador. Homero, que também é professor do Centro Universitário Newton Paiva, lembra que após a Primavera Árabe, em países como o Egito,  logo após a queda dos governos totalitários surgiram governos teocráticos. Segundo ele, não é possível excluir a possibilidade de uma  institucionalização da sharia (lei islâmica), por parte dos rebeldes.  “Eles se  dizem muçulmanos moderados, mas quem garante que depois de uma possível vitória, eles subam ao poder e mostrem-se piores que o atual governo, ” avalia.

Já o professor Vamberto William da Silva, formado em Geografia e especialista em Geopolítica, diz que não é tão simples estabelecer quem seria melhor para o ocidente. “Os revoltosos têm se mostrado extremamente violentos, uma oposição sangrenta. Seria apenas  trocar um regime totalitário por outro, ” afirma.

 

Foto Bianca Maiello

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Gefferson Ramos diz que a melhor saída é a coalizão

Já o professor Gefferson Ramos Rodrigues, doutor em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF), acredita que o melhor para o Ocidente seja uma coalizão em que esses dois grupos sejam atendidos e contemplados. “Independente do futuro governo, será necessária uma ajuda internacional de grande monta para a Síria, devido ao nível de arrasamento geográfico e econômico atual do país,” revela. Para Rodrigues, caso haja vitória dos rebeldes, muitos acordos internacionais podem ser rompidos.